No ano de 1884 a ORPHESINA CACHOEIRANA, primeira filarmônica fundada em Cachoeira, promoveu um "Passeio de Recreio" à cidade de Maragojipe para proporcionar aos "dignos habitantes" da região a participação na festa do "Glorioso São Bartolomeu". As informações estão contidas no anúncio veiculado no jornal O GUARANY, em sua edição de 05 de agosto de 1884. A ORPHESINA CACHOEIRANA, fundada em 5 de abril de 1871, teve origem na Orchestra de Nossa Senhora da Ajuda, grupo musical criado pelo Padre José Henrique da Fonseca, o introdutor do ensino de música em Cachoeira, para acompanhar as celebrações religiosas na Igreja da Ajuda. O "reclame" traz detalhes de como seria o passeio através do Rio Paraguaçu: o vapor da Companhia Baiana seria decorado com bandeirolas e, no percurso, a "banda da sociedade" iria executar "brilhantes peças do seu vastíssimo repertório" para animar o público.
Aqui são registrados documentos de toda ordem, pesquisas,leituras, citações e referências de caráter historiográfico sobre a cidade de Cachoeira (BA).Pretendemos divulgar todo e qualquer trabalho existente em compêndios e alfarrábios, citando esta "Cidade Monumento Nacional", com seu valioso acervo arquitetônico,cultural e artístico. O VAPOR DE CACHOEIRA pretende ser um fiel depositário de impressões históricas sobre Cachoeira e o Recôncavo Baiano.
segunda-feira, 16 de julho de 2012
segunda-feira, 9 de julho de 2012
FESTA DA AJUDA EM CACHOEIRA PODE SER RECONHECIDA COMO BEM IMATERIAL DA BAHIA
| Cartaz da Festa da Ajuda |
(Clique na imagem para facilitar a leitura)
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| Jornal O GUARANY (13/10/1881) |
Conforme consta no livro ''O SEMEADOR DE ORQUESTRAS - História de um Maestro Abolicionista'' (Jorge Ramos, 2011) a Festa da Ajuda está ligada também à origem do ensino de música em Cachoeira e ao surgimento de suas centenárias filarmônicas. Ao levar a devoção a Nossa Senhora da Ajuda para Cachoeira, em 1818, o Padre Henrique Jose de Araújo (1754-1844), iniciou também o ensino de música na então vila.
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| Trecho do livro "O SEMEADOR DE ORQUESTRAS - História de um Maestro Abolicionista" |
quarta-feira, 4 de julho de 2012
BIOGRAFIA DE TRANQUIILINO BASTROS SERÁ RELANÇADA
Será relançado nesta sexta-feira (06) ,a partir das 18 h, na Livraria Saraiva do Shoping Barra o livro "O SEMEADOR DE ORQUESTRAS - História de um maestro abolicionista", a biografia do maestro cachoeirano Manoel Tranquilino Bastos
Contracapa
O relançamento integra o evento coletivo "PALAVRAS & INDEPENDÊNCIA"
terça-feira, 3 de julho de 2012
UMA FEIRA DE ANTIGAMENTE EM CACHOEIRA
Esta imagem é da década 30 e mostra a Feira Livre de Cachoeira, na Praça Dr. Milton (antes, Largo da Regeneração). Nessa época ainda não havia sido construído o Mercado Municipal, na Praça Maciel.Ao centro da foto, o Chafariz Imperial um dos principais (e infelizmente menos badalado e cuidado) dos monumentos da cidade. Ainda não havia, ao lado do Chafariz, o horroroso prédio que hoje abriga o Bradesco e que foi construído na década de 60 para ser a agência do extinto Banco da Bahia. Trata-se de uma violência arquitetônica e estética, que contrasta com a leveza e suavidade da arquitetura colonial da cidade, tombada como Monumento Nacional.
terça-feira, 19 de junho de 2012
ENCHENTE DO RIO PARAGUAÇU TRANSFORMA CACHOEIRA NA "VENEZA DO RECÔNCAVO"
Este título foi inspirado na reportagem especial publicada pela prestigiada revista A CIGARRA, de circulação nacional, em sua edição do mês de agosto de 1949. Em cinco páginas a reportagem mostrou os efeitos da enchente do Rio Paraguaçu que, no ano anterior, cobrira parcialmente as cidades baianas de Cachoeira e São Félix. Bem ao estilo rebuscado do jornalismo praticado à época - em que predominava a veia literária do autor, em detrimento da objetividade na narrativa dos fatos - o texto é assinado pelo baiano Jacy B. Lima, vencedor de um concurso de reportagens promovido pela própria revista. O teor da reportagem contempla sobretudo o aspecto humano da tragédia, em que milhares de famílias ficaram desabrigadas e o comércio fortemente prejudicado pela cheia. Não se sabe se os nomes citados na matéria jornalística referem-se, de fato, a pessoas reais ou são personagens criados pela imaginação do autor - recurso muito usado no jornalismo da época -, embora pareçam verossímeis pelas situações descritas. As fotos, embora de boa qualidade, concentram-se somente na Praça Teixeira
de Freitas, mostrando basicamente o Cine Teatro Cachoeirano, trechos da Rua 25 de Junho
e Sete de Setembro, ao lado do Hotel Colombo, quando poderiam ser mostrados outros trechos alagados de Cachoeira. Esta mesma enchente já foi mostrada neste blogo (ver postagem UMA ENCHENTE EM CACHOEIRA VISTA PELAS LENTES DO ESPANHOL "MANOLO", de outubro de 2010)
(Para facilitar a leitura, clique nas imagens)
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| A Pensão Marietta funcionava na esquina da 25 de Junho com a Rua 13 de Maio. No local funcionou mais tarde a Pousada do Pai Thomaz. O Hotel Colombo já possuía os quatro andares. |
sexta-feira, 15 de junho de 2012
O TRÁGICO INCÊNDIO QUE DEU ORIGEM AO NOME DA "RUA DO FOGO" EM CACHOEIRA
Embora oficialmente seja denominada Rua Rodrigo Brandão - homenagem muito justa ao militar cachoeirano que teve um relevante papel na Guerra pela Independência do Brasil - o logradouro conhecido pelos cachoeiranos como Rua do Fogo tem este nome devido a um trágico episódio ocorrido em 1877. Mais precisamente no dia 16 de novembro daquele ano, quando um incêndio destruiu o casebre de um casal de "africanos" e causou a morte de duas crianças que tinham sido deixadas trancadas em casa. O fato causou uma comoção muito grande em Cachoeira, inclusive pelo risco efetivo que a cidade correu de, no momento da tragédia, as chamas terem se espalhado por todos os demais casebres de palhas, o que teria catastrófico. Antes, a rua era conhecida como parte do Largo dos Currais Velhos, por ser local usado para abrigar os tropas de burros que chegavam dos sertões para abastecer a vila e voltavam carregados de produtos manufaturados adquiridos na vila. O incêndio foi noticiado pelo jornal A ORDEM (edição de 17 de novembro de 1877) em um primor de texto jornalístico pela descrição objetiva dos fatos, reproduzido em Salvador pelo jornal CORREIO DA BAHIA (edição de 20 de novembro de 1877), conforme o recorte abaixo :
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| O "Correio da Bahia" reproduziu notícia de "A Ordem" |
A Rua do Fogo, como passou a ser chamada
desde então, foi de fato um dos primeiros núcleos habitados pelos
negros em Cachoeira. A "elite" de então habitava o núcleo central da
vila, onde ficavam os sobrados habitados pelas famílias dos senhores de engenho e comerciantes da vila, e também os grandes armazéns que faziam do comércio cachoeirano o segundo maior da Bahia, por sua posição estratégica de entreposto comercial entre o litoral e o sertão. Segundo consta no site Cachoeira Online (cacaunascimento.blogspot.com.br)
a área tem significativo valor histórico, pois está ligada diretamente à
própria configuração geográfica desde os primórdios da antiga Vila de
Nossa Senhora do Rosário do Porto da Cachoeira:
A área urbana de
Cachoeira é repartida em três zonas: a zona indígena (o Caquende), a
zona construída pelo colonizador (a área da vila), e a área de expansão,
destacando-se a Recuada (Currais Velhos, Bitedô, Rua dos Artistas, Rua
Barão de Nagé e adjacências), que originou-se de núcleos residenciais
fundados por africanos libertos.
| Desde o incêndio, em 1877, os cachoeiranos chamam-na "Rua do Fogo" (Foto: Cacau Nascimento) |
Além dessa importância urbanística, a área em torno dos Currais Velhos está ligada às lutas pela Independência do Brasil. Foi ali que na noite de 24 de Junho de 1822 o Coronel Rodrigo Brandão
acampou com a sua tropa, marchando na manhã seguinte até a Câmara, que
reunida extraordinariamente aclamou o Príncipe Regente Dom Pedro de
Alcântara como "Defensor Perpétuo do Brasil". O ato provocou o ataque de
uma barca portuguesa, que disparou tiros de canhão contra a vila, dando
início à fase da luta armada na conquista da Independência do Brasil,
que seria consolidada somente em 2 de Julho do ano seguinte. A homenagem
prestada a Rodrigo Brandão, dando-lho o
nome à rua, deveu-se ao fato de que dali, ele partiu para garantir
suporte militar à Câmara de Cachoeira na decisão histórica.
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| Barão de Belém
Rodrigo Antonio Pereira Falcão Brandão (1786-1855)
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Nasceu no Iguape, região da zona rural de Cachoeira onde ficavam os
principais engenhos, sendo inclusive proprietário de um deles. Recebeu o
título de Barão de Belém diretamente das mãos do Imperador Dom Pedro I pela participação
nas lutas pela Independência. Era Coronel e na madrugada de 25 de
Junho de 1822 entrou em Cachoeira à frente de uma tropa para
garantir que o Senado da Câmara aclamasse o Príncipe Regente Dom Pedro
de Alcântara. Teve papel decisivo na Batalha de Pirajá e em 2 de Julho
do 1823, integrando o Exército Libertador, entrou triunfalmente em
Salvador, com a fuga dos portugueses que resistiam à Independência e
controlavam a cidade. Mais tarde, já Brigadeiro, atuou em 1832 e em
1837/38 na defesa da legalidade e em nome do Império reprimiu as
revoltas republicanas de Guanais Mineiro, em Cachoeira, e a Sabinada em
Salvador, respectivamente. Morreu em 1855, tendo sido uma das vítimas
da epidemia de cholera morbus que assolou o Recôncavo.
Foi enterrado no Convento de Santo Antonio do Paraguaçu, próximo ao seu
engenho, no Iguape.
quinta-feira, 7 de junho de 2012
UMA "BRAVA" VIÚVA CACHOEIRANA É ACUSADA DE TENTATIVA DE HOMICÍDIO
No longínquo ano de 1796 a viúva cachoeirana Victória Pereira de Menezes Brabo foi denunciada, e posteriormente julgada e absolvida, de cometer o crime de tentativa da homicídio que teria sido praticado contra José Araújo Bacellar. O motivo foi provavelemente uma briga de família por disputa de terras, porque quem a acusou foi José da Silva Bacellar, certamente um primo do falecido marido dela. As informações a respeito deste assunto foram relatadas pelo Governador da Capitania da Bahia, Dom Fernando José de Portugal (o mesmo que alguns anos mais tarde viria a reprimir a Revolução dos Alfaiates, conspiração contra o Reino de Portugal que resultou no enforcamento de quatro negros na Praça da Piedade em Salvador) ao Ministro português Dom Rodrigo de Souza Coutinho, secretário de Estado da Marinha e do Ultramar, responsável pelo Conselho Ultramarino, órgão encarregado de administrar as colônias portuguesas na África, América e Europa.
(clique na imagem para facilitar a leitura)
Dom Rodrigo de Souza Coutinho, Conde de Linhares, foi num dos mais destacados diplomatas e burocratas a serviço do Reino de Portugal. Além de ter sido Ministro da Marinha e do Ultramar, cargo que ocupava à época dessa correpondência, ele foi mais tarde Primeiro Ministro de Portugal. Grande articulador político, negociou com a Inglaterra a transferência da Família Real Portuguesa para o Brasil, fugindo do imperador francês Napoleão Bonaparte. Em troca da proteção (uma esquadra inglesa escoltou as embarcações portuguesas até o Brasil), Portugal abriu os portos brasileiros aos navios mercantes ingleses, que pagavam taxas alfandegárias menores até mesmo do que os próprios navios mercantes portugueses. Dom Rodrigo, que veio acompanhando D. João VI, foi quem redigiu o texto da Lei de Abertura dos Portos às Nações Amigas e veio também a ser o primeiro ocupante do cargo de Ministro da Guerra de Portugal, já quando a Corte estava instalada no Brasil.
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| D. Rodrigo de Souza Coutinho |
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