quarta-feira, 3 de abril de 2013

INCÊNDIO DESTRÓI CASAS E PÕE POPULAÇÃO DE CACHOEIRA EM PÂNICO (1914)


Em 1914, há cem anos, um grande incêndio em Cachoeira destruiu dezesseis casas da área comercial - segundo a imprensa da época -  e ameaçava se alastrar  por outras casas, pondo a população em pânico. A notícia mereceu destaque na imprensa nacional e foi publicada no jornal CORREIO PAULISTANO (SP), que fez um relato dramático da situação, indicando as providências tomadas pelo governo da Bahia, comandado à época por J.J. Seabra. Como não havia ligação rodoviária entre Salvador e Cachoeira, os bombeiros de Salvador foram conduzidos através do Rio Paraguaçu, tendo chegado obviamente depois que o fogo havia sido debelado. Mas  a tempo suficiente de  impedir o surgimento de novos focos - o temor da população- e com o reforço da força policial que o acompanhou, evitar saques às casas. Pelo relato que chegou ao governador, o fogo teria sido iniciado no "cinematógrapho" de Cachoeira. A notícia traz ainda uma outra curiosidade histórica: o deputado federal Ubaldino de Assis, maior força política da cidade, acompanhou as forças deslocadas para Cachoeira. Na época ele era aliado incondicional de J.J. Seabra. Mais tarde viriam a ter um ruidoso rompimento político e pessoal, com cenas de violência, inclusive um tiroteio na Rua da Matriz e a invasão da Polícia à casa de Ubaldino de Assis.      



quinta-feira, 28 de março de 2013

ARCEBISPO ORIENTA SANTA CASA DE CACHOEIRA SOBRE BATIZADO DE CRIANÇAS "ENJEITADAS"

Respondendo a uma consulta feita pela Santa Casa de Misericórdia de Cachoeira e pelo Padre Francisco Manoel dos Santos, "vigário colado" da Paróquia de Nossa Senhora do Rosário, no ano de 1849, o Arcebispo da Bahia e Cardeal Primaz Dom Romualdo Seixas (1787-1860) esclareceu que o batizado dos "engeitados" (nome que era dado à época às crianças recém-nascidas que eram abandonadas) somente poderiam receber o sacramento do batismo diretamente do sacerdote. A Santa Casa de Misericórdia de Cachoeira mantinha na sua estrutura uma creche para abrigar essas crianças, dando-lhes alimento, remédio e educação, até que fossem encaminhadas a um lar adotivo e pretendia batizá-las sem a presença de um sacerdote católico.  A comunicação do arcebispo foi feita através de ofício, encaminhado ao Padre e à direção da Santa Casa e publicado no jornal O NOTICIADOR CATÓLICO, mantido pela Arquidiocese da Bahia. A leitura do texto permite algumas conclusões, como a de que era muito forte o preconceito contra as "inocentes vítimas do crime", como o arcebispo se refere aos menores abandonados. Na correspondência ao padre, Dom Romualdo esclarece que o batismo é prerrogativa dele mas acena com a possibilidade de que ele transfira eventualmente este poder ao capelão da Santa Casa "mediante as cláusulas que V. S. julgar convenientes para conservação dos seus direitos".  

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Dom Romualdo Seixas foi um dos homens públicos mais influentes e habilidosos do seu tempo.  Recebeu o título nobiliárquico de Marquês de Santa Cruz e foi eleito deputado. Nessa condição ocupou o cargo de Presidente da Câmara de Deputados. Foi nomeado arcebispo da Bahia por Dom Pedro I e confirmado pelo Papa Leão XII. Como ocupava o cargo de titular da primeira ("primaz") arquidiocese do Brasil, presidiu a solenidade de coroação do Imperador Dom Pedro II. Embora fosse um alto prelado católico, ligou-se à Maçonaria,  numa época em que a Igreja Católica combatia  essa instituição. 
Dom Romualdo Seixas, o 16º Arcebispo da Bahia. 



terça-feira, 5 de março de 2013

ABERTA LICITAÇÃO PARA DRAGAGEM DO RIO PARAGUAÇU, ENTRE CACHOEIRA E SÃO FÉLIX

A recente intervenção da Prefeitura de Cachoeira, promovendo uma limpeza radical no rio Paraguaçu e dele retirando dezenas de toneladas de entulhos que assoreavam o leito e se acumulavam na ilha e nas margens, foi uma medida acertada e que recebeu justos aplausos da comunidade pela importância ambiental, cultural e turística. Mas não foi uma medida inédita, embora tenha demorado mais de um século para acontecer de novo ...
A última intervenção desse porte foi feita em 1912, época em que se construiu o cais da cidade, quando o governo estadual através da "Fiscalização do Porto da Bahia" abriu licitação para contratar uma empresa que fizesse a dragagem e o aterro com o produto que fosse recolhido. As regras da licitação, estabelecendo um rígido controle dos trabalhos, foram divulgadas pelo jornal de Salvador "Gazeta de Notícias", edição de 9 de Setembro daquele ano.

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domingo, 3 de março de 2013

NOTÍCIA DE DERRAME DE DINHEIRO FALSO ABALA CACHOEIRA

No ano de 1904 o jornal CORREIO DO BRASIL - editado em Salvador - transcreveu uma notícia publicada pelo jornal cachoeirano A ORDEM - que por sua vez a copiou de outro veículo, O PROPULSOR, de Feira de Santana - informando sobre o derrame de cédulas falsas na região. O golpe teria sido praticado por um morador de Muritiba que viajou até Cachoeira e daí seguiu de trem até Feira de Santana, onde numa segunda-feira, dia de intenso movimento na cidade por causa da feira, então uma das maiores do Nordeste, pagou mercadorias com dinheiro falso. A notícia teve um efeito bombástico sobre o comércio em Cachoeira e municípios de toda a região.  
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terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

ABOLICIONISTAS CACHOEIRANOS VIBRAM COM VITÓRIA ELEITORAL DE JOAQUIM NABUCO

A vitória eleitoral de Joaquim Nabuco foi vista
pelos cachoeiranos como um avanço na luta pela Abolição
Em setembro de 1887 a vitória de Joaquim Nabuco (1849-1950) - o maior líder da causa abolicionista - nas eleições para deputado federal representando o 1º distrito eleitoral de Pernambuco, foi comemorada em Cachoeira com uma passeata promovida pelos abolicionistas locais, que teve a participação da "EUTERPE CECILIANA" (atual LYRA CECILIANA), filarmônica fundada em 1870 pelo maestro Tranquilino Bastos, e que era inclusive o seu regente.   
Joaquim Nabuco tinha então 38 anos e já era um nome nacional, como diplomata e jornalista engajado na causa da abolição, tendo escrito a respeito do tema contundentes artigos na imprensa e feito inúmeras conferencias no Brasil e  no Exterior. Foi um dos fundadores e principal dirigente da Sociedade Antiescravidão Brasileira.  
A manifestação de júbilo dos cachoeiranos pela vitória de Joaquim Nabuco, obteve um merecido destaque no número 1 do jornal O ASTERÓIDE, "orgam da propaganda abolicionista", editado em Cachoeira sob a direção do Capitão José Theodoro Pamponet, que lutara na Guerra do Paraguai e voltara à sua cidade coberto de glórias  e heroísmo, para se engajar na causa da libertação dos escravos.   

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O texto faz referencia a outro líder abolicionista pernambucano, José Mariano Carneiro da Cunha (1850-1912), colega de faculdade de Joaquim Nabuco e companheiro de causa. 

domingo, 3 de fevereiro de 2013

CACHOEIRA TEVE UM "ANIMADÍSSIMO" CARNAVAL EM 1922

No meu livro "O SEMEADOR DE ORQUESTRAS - História de um Maestro Abolicionista", em que apresento a biografia do músico cachoeirano Tranquilino Bastos (1850-1935) e traço um panorama histórico e socio-cultural de Cachoeira, descrevo como foi o Carnaval na cidade no ano de 1922. Estávamos a poucos meses da eleição presidencial (naquele tempo, em maio) e a disputa política que se travava no país foi o componente que dominou a festa. Naquele ano disputavam o cargo de Presidente da República o mineiro Artur Bernardes, que acabaria vencendo, e o carioca Nilo Peçanha. As forças políticas predominantes na cidade eram lideradas pelo jornalista e empresário Durval Chagas, que apoiava Nilo, e o deputado federal Ubaldino de Assis, defensor da candidatura Bernardes.
A seguir, reproduzo o trecho do livro em que descrevo como a cidade estava se preparando para o Carnaval daquele ano, segundo relato "parcial" feito pelo  jornal A ORDEM, de propriedade de Durval Chagas. O jornal aproveitou a oportunidade para tentar desmoralizar a candidatura de Artur Bernardes, chamado pejorativamente de "Seu Mé", por causa do seu notório pendor para consumir a legítima cachaça mineira. O artigo dá uma ideia precisa do cenário cultural e social de Cachoeira.

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sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

HÁ 109 ANOS MORRIA ARISTIDES MILTON, UM NOTÁVEL JURISTA E HISTORIADOR CACHOEIRANO

Em 26 de janeiro de 1904 morria aos 56 anos no Rio de Janeiro o jurista, historiador, jornalista e político cachoeirano Aristides Milton. Em gratidão, os cachoeiranos deram o nome de Praça Dr. Milton a um dos principais logradouros da cidade, o outrora chamado Largo da Regeneração, onde fica a Santa Casa de Misericórdia e um dos principais monumentos históricos da cidade, o chafariz datado de 1826. Nascido em Cachoeira, em 29 de maio de 1848, foi colega no Ginásio da Bahia, e mais tarde na Faculdade de Direito do Recife, de dois outros baianos que viriam a se tornar ilustres: o poeta Castro Alves e o jurista Ruy Barbosa. Após se formar, voltou à Bahia e foi nomeado juiz de Direito em Santa Isabel do Paraguaçu (atual cidade de Mucugê) e mais tarde exerceu o mesmo cargo em Maracás. Militou na imprensa de Salvador como redator do Correio da Bahia e em sua cidade natal fundou o Jornal da Cachoeira. Ocupou os cargos de Chefe de Polícia de Sergipe e Presidente da Província de Alagoas. Foi filiado ao Partido Conservador, pelo qual se elegeu deputado provincial e mais tarde deputado geral (cargo hoje denominado deputado federal) por várias legislaturas. Com a proclamação da República foi eleito para integrar a Assembleia Constituinte de 1891. Seu vasto conhecimento jurídico levou-o a se destacar como um dos principais redatores da primeira Constituição republicana.   
Aristides Milton (1848-1904). 
(Foto do acervo de Erivaldo Brito).
Aristides Milton teve também uma intensa participação na vida cultural e social de Cachoeira, tendo sido um dos criadores do Montepio dos Artistas Cachoeiranos, entidade que congregava os artesãos da cidade nas lutas políticas, como o abolicionismo, e em ações humanitárias através de instrumentos como o pecúlio, aposentadoria e pensão, numa época em que inexistia o sistema de previdência pública. Foi também, por sete anos, provedor da Santa Casa de Misericórdia de Cachoeira, cargo em que se revelou  um excelente gestor, ampliando a receita e diminuindo as despesas, saneando as  finanças e obtendo com seu inegável prestígio subsídios para ampliar  os  mecanismos de assistência social na região. Foi também um profundo pesquisador da história de Cachoeira, tendo escrito Ephemérides Cachoeiranas, onde estão compilados com absoluto rigor os principais fatos históricos da cidade desde a chegada de colonos portugueses ao aldeamento indígena que existia no Rio Paraguaçu e que deu origem à Vila de Nossa Senhora do Rosário do Porto da Cachoeira, no final do Seculo XVII. 
Aristides Milton escreveu ainda os seguintes livros A República  e a Federação no Brasil e  A Constituição do Brazil - Notícia Histórica, Texto e Comentário, considerado o principal estudo sobre o teor da Constituição de 1891, da qual foi um dos redatores. 


Outro importante livro foi A Campanha de Canudos, fruto de exaustiva pesquisa feita a pedido do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB), entidade de que era sócio. Este livro de 1897, um "relato minucioso, direto e objetivo" da guerra no sertão baiano, antecedeu ao lançamento de Os Sertões , obra prima de Euclides da Cunha. 


Após o seu falecimento, o IHGB prestou-lhe uma homenagem, e a todos os demais sócios que morreram naquele ano, em sessão solene na qual o orador foi um seu discípulo o Desembargador Antonio  Ferreira de Souza Pitanga.  Eis o trecho desse discurso, publicado no Tomo LXVII da Revista do IHGB (1905), na parte que se refere a Aristides Augusto Milton: