domingo, 13 de outubro de 2013

A INESQUECÍVEL VISITA DE "OS TINCOÃS" A CLEMENTINA DE JESUS

Em meados da década de 80 e após uma bem sucedida trajetória no Rio de Janeiro - onde se apresentou em prestigiadas casas de espetáculos, quadras de escola de samba e em programas de televisão transmitidos em rede nacional - o grupo cachoeirano "Os Tincoãs" foi reconhecido pela crítica como um legítimo representante, e fiel guardião, da influência das raízes artísticas e culturais africanas na música popular brasileira. Por isso mesmo é que um dos encontros mais significativos que tiveram com outros nomes ligados à cultura musical brasileira foi a visita que fizeram à consagrada cantora de samba,  Clementina de Jesus (1901-1987). O emocionante encontro foi registrado pele repórter Salete Lisboa, do jornal carioca Última Hora, e publicado na edição de 6 de maio de 1983. O encontro antecedeu à série de apresentações que "Os Tincoãs" e Clementina de Jesus fizeram juntos, no Circo Esperança, no bairro carioca da Gávea. 


Na época o grupo era composto pelos cachoeiranos Matheus Aleluia e Dadinho, além do carioca Badu (na foto, está entre os dois), que pouco antes substituíra o também cachoeirano Heraldo, recém-falecido. O encontro histórico desses ícones da música afro-brasileira certamente foi antológico, com direito a um saudável bate-papo e muito samba na palma-da-mão, puxado pela voz inesquecível de Clementina de Jesus e entoado pelo mavioso ritmo de "Os Tincoãs".  


O trio, na formação anterior : Da esquerda para a direita: Dadinho, Heraldo e Matheus Aleluia. 

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

MORADOR DA VILA DE CACHOEIRA PAGA BEM A QUEM TROUXER DE VOLTA SEU "MOLEQUE CRIOULO".

 O jornal IDADE D'OURO - o segundo a ser publicado no Brasil - passou a ser publicado em Salvador a a partir de 1811. Em sua edição de 28 de janeiro de 1814 registrou na secção "AVISOS" o anúncio da fuga de um jovem escravo, Vicente. E dá as características dele, prometendo recompensar a quem o devolver ao proprietário, Antonio Francisco Ribeiro, morador da vila de Nossa Senhora do Rosário do Porto da Cachoeira. 


domingo, 15 de setembro de 2013

OS 50 anos da filmagem de "A MONTANHA DOS SETE ECOS"

Entre julho e novembro de 1963 - portanto faz exatamente 50 anos - a cidade de Cachoeira teve a sua pacata rotina alterada bruscamente por causa das filmagens de "A Montanha dos Sete Ecos", um longa-metragem da Polígono Filmes, produzido e dirigido pelo jornalista e cineasta português Armando de Miranda (1904-1971). A chegada da equipe de atores, técnicos e dos pesados equipamentos causou um verdadeiro alvoroço, pois além de Cachoeira servir de cenário para a maior parte das cenas, centenas de moradores da cidade serviram como figurantes. O filme, uma produção em preto e branco e bem ao estilo farwest,  mostrava  a trama de um jovem que, premido pelas circunstâncias, torna-se bandoleiro para vingar a morte do pai, vítima indefesa de um poderoso dono de terras que mantinha em pânico os fazendeiros e pequenos agricultores da interior baiano no início do século.

Embora não fosse ainda um tempo em que as celebridades artísticas fossem conhecidas do grande público - a televisão estava praticamente engatinhando e o cinema brasileiro,  mesmo já tendo conquistado grandes e importantes prêmios no exterior, não era muito expressivo em termos de platéia - a presença de "artistas" gravando um filme nas ruas da cidade causou uma forte impressão na comunidade.
Num dos papéis principais estava o ator cearense Milton Moraes (1930-1963), que viria mais tarde a fazer sucesso em outros filmes e em novelas globais. Marcado por um estilo descontraído de atuação, ele se consagrou em papéis como malandro e contraventor do jogo-de-bicho e fez também programas humorísticos como a "Praça da Alegria", em que tocava bumbo e tinha o bordão "Tá bonito, isso ??".  Fez o papel principal na novela "O Espigão" e atuou em também em " Bandeira 2", "O Bofe", "Cavalo de Aço", "Escalada", "Saramandaia" (primeira versão), "Espelho Mágico", "Dancin Days", "Cabocla", "Água Viva" e na minissérie "Anos Dourados".
Milton Moraes em "A Montanha dos Sete Ecos"

Milton Moraes, mais tarde, em novela da Rede Globo
O elenco de " A Montanha dos Sete Ecos" tinha ainda Terezinha Mendes e alguns baianos como J. Luna, Milton Gaúcho e José Teles.












Cachoeira serviria mais tarde de cenário para outras produções do cinema nacional, como "Tenda dos Milagres (1977), de Nelson Pereira dos Santos,  "Delmiro Gouveia" (1978), de Geraldo Sarno, "O Mágico e o Delegado" (1983), de Fernando Coni Campos, além de ter sido utlizada também para gravação de cenas de novelas e minisséries. E, principalmente, já foi palco da Jornada de Cinema da Bahia , do incansável Guido Araújo, e agora com a UFRB e o curso de cinema mostra que sempre teve vocação para brilhar, seja na frente ou por trás das câmeras, na telinha ou na telona.

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

MAÇONARIA DE CACHOEIRA REALIZA EVENTO EM BENEFÍCIO DOS DOENTES DO HOSPITAL DA "SANTA CASA"

Em 9 de Novembro de 1896 a "Loja Maçônica Caridade e Segredo", de Cachoeira, realizou uma sessão solene, seguida de um jantar musical,  para comemorar seu 18º aniversário. Cumprindo à risca o objetivo estabelecido eu seu lema, toda a renda obtida nessa e em outras ações foi revertida em benefício dos doentes internados no Hospital da Santa Casa de Cachoeira, outra instituição igualmente antiga e de forte presença na cidade. O ato festivo  foi presidido pelo Grande Venerável da Maçonaria no Estado da Bahia, o "irmão" Antonio Leonardo Pereira. A sessão solene teve como oradores os "irmãos" Servílio Mário da Silva (médico, que foi o primeiro prefeito de Cachoeira na era republicana), Genésio Pitanga (jornalista e editor, que teve um importante papel na luta abolicionista em Cachoeira), Evaristo Cardoso e João Rabello (orador oficial da Loja).  
A "Loja Maçônica Caridade  e Segredo" de Cachoeira, fundada em 1878, é uma das mais antigas do Brasil e embora discretamente, como é do seu feitio, teve também uma presença ativa no movimento em prol da libertação dos escravos, ocorrida dez anos após a sua criação. A notícia mereceu um considerável destaque no "Boletim do Grande Oriente do Brasil", jornal oficial da Maçonaria Brasileira, publicado no final do ano de 1896.




domingo, 21 de julho de 2013

CACHOEIRANOS PEDEM AJUDA PARA RECUPERAR PRÉDIO DA CÂMARA

Em 18 de junho de 1789 a Câmara da Vila de Cachoeira  escreveu diretamente à Rainha de Portugal, D. Maria I, uma representação pedindo a recuperação urgente do prédio onde funcionava a própria câmara e a cadeia, que se encontrava em "completa ruína". No pedido, era feita ainda um apelo para a criação de um "imposto de passagem no Peruassú" (Rio Paraguaçu) afim de aumentar a receita da vila. O documento teve despacho favorável do Ouvidor Geral e Provedor  da comarca, Joaquim Manoel de Campos, e foi acompanhado de um termo da vistoria, onde se constatou as condições precárias em que o prédio se encontrava. Nessa época, Dona Maria I ainda não tinha adquirido a doença mental (ou ela não tinha ainda se manifestado...) que a afastaria do trono, sendo substituído por Dom João VI, como Príncipe Regente. Ela acompanhou - sem saber do que se tratava - toda a corte na fuga para o Brasil em 1808. Morreu no Rio de Janeiro em 1816, sendo o único soberano europeu enterrado  fora do continente.


Dona Maria I, Rainha de Portugal entre 1777 e 1816.
 Em seu reinado foi enforcado Tiradentes.
Ela morreu louca  e foi sucedida pelo filho, Dom João VI.
Os documentos relativos ao pedido feito pelos cachoeiranos à Rainha de Portugal estão publicados nos Anais da Biblioteca Nacional do Brasil, edição Nº 34, publicada em 1912, que traz o inventário dos documentos relativos ao Brasil existentes no "Archivo de Marinha e Ultramar", em Lisboa.


                                     
Prédio da Câmara de Cachoeira

quarta-feira, 3 de julho de 2013

NOVAS TÉCNICAS DE PLANTIO IMPULSIONAM A CULTURA DO FUMO EM CACHOEIRA NO PERÍODO COLONIAL.

A cultura do fumo, uma das bases da economia do Recôncavo Baiano ainda durante o período colonial e até meados da década de 40 do Século XX,  ganhou um notável impulso em 1757 com a implantação de novas técnicas do plantio e processamento das folhas de tabaco. A Villa de Cachoeira,  com suas vastas plantações e a maior produção fumageira do Brasil Colônia, foi escolhida para receber as experiências inovadoras para adoção das modernas técnicas, que à época já haviam sido testadas com sucesso nas colônias inglesas (Estados Unidos), francesas e holandesas. O principal agente responsável por essa nova fase da cultura do fumo,  que visava principalmente melhorar a qualidade e aumentar a produção, visando a exportação, era o cidadão espanhol André Moreno, que veio pessalmente a Cachoeira ensinar as novas técnicas. A notícia foi comunicada pelo então Vice-Rei do Brasil, o Conde dos Arcos, a Sebastião José de Carvalho e Mello (18699-1782), o Marquês de Pombal, todo poderoso Ministro do Rei D. José I. Apesar de oficialmente exercer apenas o cargo de Secretário de Estado do Reino, ele é quem,  efetivamente, concentrava o poder político, militar e diplomático, sendo uma das figuras mais carismáticas e controversas da História de Portugal. Ele é considerado o "déspota esclarecido",  modelo de governante que exerce o poder de forma tirânica, exaltando o absolutismo, ao mesmo tempo em que implanta reformas radicais inspiradas pelos ideais de progresso, reforma e filantropia, valores criados a partir do Iluminismo.  Pombal acabou a escravidão  em Portugal (mas não nas colônias),  anulou o poder dos jesuítas, expulsando-os dos domínios portugueses, e promoveu reformas radicais no sistema econômico e educacional, livrando-os da influência medieval. E era aberto às novas ideias na economia, nas ciências e nas artes. 



quinta-feira, 6 de junho de 2013

UM CACHOEIRANO PUNIDO PELA INQUISIÇÃO COM AÇOITES E PENA DE TRABALHOS FORÇADOS.

Ao longo da nossa história colonial diversos brasileiros foram punidos pelo Tribunal do Santo Ofício - a Inquisição - pelos mais diversos "crimes" contra a fé católica. Entre eles estava um cidadão cachoeirano,  Antonio Pereira Ribeiro Trense, que embora nascido em Portugal era morador da Vila de Cachoeira onde exercia o ofício de cirurgião.  Em 1711 ele, que já era casado em Portugal mas tinha se casado novamente quando veio morar no Brasil, foi condenado pelo crime de bigamia. A pena aplicada foi o açoite em público  - para servir de exemplo - e o cumprimento durante cinco anos de trabalhos forçados como remadores nas  "galés", as pesadas embarcações de guerra. Mas podiam também podiam ser realizados em vias públicas em tarefas humilhantes. Em qualquer caso, os condenados cumpriam as suas penas acorrentados e sob severa vigilância. 
O  Tribunal do Santo Ofício foi criado para corrigir os "desvios da fé" e a heresia, punindo muitas vezes com o máximo rigor (a morte na fogueira era um exemplo clássico)  qualquer ideia ou pratica que fosse contrária à fé católica, bastando até mesmo que as pessoas denunciadas não seguissem alguns dos padrões morais e doutrinários estabelecidos pela Igreja Católica ou defendesse teorias filosóficas ou científicas que contrariassem os valores e dogmas religiosos. Os "crimes" mais comumente punidos: a bigamia, sodomia, feitiçaria, práticas judaizantes, ateísmo ou  ligações com a Maçonaria. Como Portugal era uma país excessivamente católico, incorporou ao seu sistema jurídico as normas penais estabelecidas pela Inquisição. 

Esta notícia foi publicada em 1872 no jornal maçon O PELICANO, que refere-se a pesquisas feitas pelo historiador Francisco Adolpho de Varnaghem  para o Instituto Histórico e  Geográfico Brasileiro.