domingo, 7 de setembro de 2014

"ASSOCIAÇÃO SEDICIOSA DE MULATOS" E QUILOMBO EM CACHOEIRA ASSUSTAM AUTORIDADES PORTUGUESAS

Nos anais da Biblioteca Nacional consta uma curiosa correspondência de um burocrata português, enviado em 1798 para exercer o cargo de Provedor da Casa da Moeda da Bahia. A carta era destinada a D. Rodrigo de Souza Coutinho, o Conde Linhares, que na época ocupava o cargo de Ministro e Secretário da Marinha e Domínios Ultramarinos de Portugal.
José Venâncio de Seixas alerta as autoridades portuguesas sobre uma "associação sediciosa de mulatos" na cidade de Salvador e aplaude a proibição do acesso dos mulatos a cargos públicos e postos militares. Ele critica ainda a lei que autorizou a criação  de "corpos milicianos desta qualidade de indivíduos", porque isso aumentaria neles "ideias vaidosas."
Por fim, alerta sobre a formação de um quilombo de negros fugidos que estava se formando desde alguns anos,  a cinco ou seis léguas acima da Vila de Cachoeira e lembra de rebeliões escravas que ocorreram em colônias francesas e holandesas.  E pede a destruição do quilombo, "antes que tomem consistência".

Obs: O quilombo denunciado ficava em Andaraí, na Chapada Diamantina



quinta-feira, 14 de agosto de 2014

LYRA CECILIANA É DESTAQUE EM REVISTA NACIONAL

Em 1908 a revista carioca "O MALHO", uma das mais prestigiadas do Brasil à época, publicou a foto da filarmônica cachoeirana LYRA CECILIANA considerando-a "uma das melhores bandas de música do interior do Brasil". A revista pede ainda que ela seja integrada como uma das atrações do Pavilhão da Bahia na Exposição Nacional que seria realizada naquele ano no Rio de Janeiro, então capital do Brasil. Infelizmente o apelo não foi atendido. A fotografia mostra a filarmônica em seu traje de gala usado na época.
A LYRA CECILIANA foi criada em 1870 pelo músico TRANQUILINO BASTOS e é uma das mais tradicionais da Bahia..

domingo, 13 de outubro de 2013

A INESQUECÍVEL VISITA DE "OS TINCOÃS" A CLEMENTINA DE JESUS

Em meados da década de 80 e após uma bem sucedida trajetória no Rio de Janeiro - onde se apresentou em prestigiadas casas de espetáculos, quadras de escola de samba e em programas de televisão transmitidos em rede nacional - o grupo cachoeirano "Os Tincoãs" foi reconhecido pela crítica como um legítimo representante, e fiel guardião, da influência das raízes artísticas e culturais africanas na música popular brasileira. Por isso mesmo é que um dos encontros mais significativos que tiveram com outros nomes ligados à cultura musical brasileira foi a visita que fizeram à consagrada cantora de samba,  Clementina de Jesus (1901-1987). O emocionante encontro foi registrado pele repórter Salete Lisboa, do jornal carioca Última Hora, e publicado na edição de 6 de maio de 1983. O encontro antecedeu à série de apresentações que "Os Tincoãs" e Clementina de Jesus fizeram juntos, no Circo Esperança, no bairro carioca da Gávea. 


Na época o grupo era composto pelos cachoeiranos Matheus Aleluia e Dadinho, além do carioca Badu (na foto, está entre os dois), que pouco antes substituíra o também cachoeirano Heraldo, recém-falecido. O encontro histórico desses ícones da música afro-brasileira certamente foi antológico, com direito a um saudável bate-papo e muito samba na palma-da-mão, puxado pela voz inesquecível de Clementina de Jesus e entoado pelo mavioso ritmo de "Os Tincoãs".  


O trio, na formação anterior : Da esquerda para a direita: Dadinho, Heraldo e Matheus Aleluia. 

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

MORADOR DA VILA DE CACHOEIRA PAGA BEM A QUEM TROUXER DE VOLTA SEU "MOLEQUE CRIOULO".

 O jornal IDADE D'OURO - o segundo a ser publicado no Brasil - passou a ser publicado em Salvador a a partir de 1811. Em sua edição de 28 de janeiro de 1814 registrou na secção "AVISOS" o anúncio da fuga de um jovem escravo, Vicente. E dá as características dele, prometendo recompensar a quem o devolver ao proprietário, Antonio Francisco Ribeiro, morador da vila de Nossa Senhora do Rosário do Porto da Cachoeira. 


domingo, 15 de setembro de 2013

OS 50 anos da filmagem de "A MONTANHA DOS SETE ECOS"

Entre julho e novembro de 1963 - portanto faz exatamente 50 anos - a cidade de Cachoeira teve a sua pacata rotina alterada bruscamente por causa das filmagens de "A Montanha dos Sete Ecos", um longa-metragem da Polígono Filmes, produzido e dirigido pelo jornalista e cineasta português Armando de Miranda (1904-1971). A chegada da equipe de atores, técnicos e dos pesados equipamentos causou um verdadeiro alvoroço, pois além de Cachoeira servir de cenário para a maior parte das cenas, centenas de moradores da cidade serviram como figurantes. O filme, uma produção em preto e branco e bem ao estilo farwest,  mostrava  a trama de um jovem que, premido pelas circunstâncias, torna-se bandoleiro para vingar a morte do pai, vítima indefesa de um poderoso dono de terras que mantinha em pânico os fazendeiros e pequenos agricultores da interior baiano no início do século.

Embora não fosse ainda um tempo em que as celebridades artísticas fossem conhecidas do grande público - a televisão estava praticamente engatinhando e o cinema brasileiro,  mesmo já tendo conquistado grandes e importantes prêmios no exterior, não era muito expressivo em termos de platéia - a presença de "artistas" gravando um filme nas ruas da cidade causou uma forte impressão na comunidade.
Num dos papéis principais estava o ator cearense Milton Moraes (1930-1963), que viria mais tarde a fazer sucesso em outros filmes e em novelas globais. Marcado por um estilo descontraído de atuação, ele se consagrou em papéis como malandro e contraventor do jogo-de-bicho e fez também programas humorísticos como a "Praça da Alegria", em que tocava bumbo e tinha o bordão "Tá bonito, isso ??".  Fez o papel principal na novela "O Espigão" e atuou em também em " Bandeira 2", "O Bofe", "Cavalo de Aço", "Escalada", "Saramandaia" (primeira versão), "Espelho Mágico", "Dancin Days", "Cabocla", "Água Viva" e na minissérie "Anos Dourados".
Milton Moraes em "A Montanha dos Sete Ecos"

Milton Moraes, mais tarde, em novela da Rede Globo
O elenco de " A Montanha dos Sete Ecos" tinha ainda Terezinha Mendes e alguns baianos como J. Luna, Milton Gaúcho e José Teles.












Cachoeira serviria mais tarde de cenário para outras produções do cinema nacional, como "Tenda dos Milagres (1977), de Nelson Pereira dos Santos,  "Delmiro Gouveia" (1978), de Geraldo Sarno, "O Mágico e o Delegado" (1983), de Fernando Coni Campos, além de ter sido utlizada também para gravação de cenas de novelas e minisséries. E, principalmente, já foi palco da Jornada de Cinema da Bahia , do incansável Guido Araújo, e agora com a UFRB e o curso de cinema mostra que sempre teve vocação para brilhar, seja na frente ou por trás das câmeras, na telinha ou na telona.

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

MAÇONARIA DE CACHOEIRA REALIZA EVENTO EM BENEFÍCIO DOS DOENTES DO HOSPITAL DA "SANTA CASA"

Em 9 de Novembro de 1896 a "Loja Maçônica Caridade e Segredo", de Cachoeira, realizou uma sessão solene, seguida de um jantar musical,  para comemorar seu 18º aniversário. Cumprindo à risca o objetivo estabelecido eu seu lema, toda a renda obtida nessa e em outras ações foi revertida em benefício dos doentes internados no Hospital da Santa Casa de Cachoeira, outra instituição igualmente antiga e de forte presença na cidade. O ato festivo  foi presidido pelo Grande Venerável da Maçonaria no Estado da Bahia, o "irmão" Antonio Leonardo Pereira. A sessão solene teve como oradores os "irmãos" Servílio Mário da Silva (médico, que foi o primeiro prefeito de Cachoeira na era republicana), Genésio Pitanga (jornalista e editor, que teve um importante papel na luta abolicionista em Cachoeira), Evaristo Cardoso e João Rabello (orador oficial da Loja).  
A "Loja Maçônica Caridade  e Segredo" de Cachoeira, fundada em 1878, é uma das mais antigas do Brasil e embora discretamente, como é do seu feitio, teve também uma presença ativa no movimento em prol da libertação dos escravos, ocorrida dez anos após a sua criação. A notícia mereceu um considerável destaque no "Boletim do Grande Oriente do Brasil", jornal oficial da Maçonaria Brasileira, publicado no final do ano de 1896.




domingo, 21 de julho de 2013

CACHOEIRANOS PEDEM AJUDA PARA RECUPERAR PRÉDIO DA CÂMARA

Em 18 de junho de 1789 a Câmara da Vila de Cachoeira  escreveu diretamente à Rainha de Portugal, D. Maria I, uma representação pedindo a recuperação urgente do prédio onde funcionava a própria câmara e a cadeia, que se encontrava em "completa ruína". No pedido, era feita ainda um apelo para a criação de um "imposto de passagem no Peruassú" (Rio Paraguaçu) afim de aumentar a receita da vila. O documento teve despacho favorável do Ouvidor Geral e Provedor  da comarca, Joaquim Manoel de Campos, e foi acompanhado de um termo da vistoria, onde se constatou as condições precárias em que o prédio se encontrava. Nessa época, Dona Maria I ainda não tinha adquirido a doença mental (ou ela não tinha ainda se manifestado...) que a afastaria do trono, sendo substituído por Dom João VI, como Príncipe Regente. Ela acompanhou - sem saber do que se tratava - toda a corte na fuga para o Brasil em 1808. Morreu no Rio de Janeiro em 1816, sendo o único soberano europeu enterrado  fora do continente.


Dona Maria I, Rainha de Portugal entre 1777 e 1816.
 Em seu reinado foi enforcado Tiradentes.
Ela morreu louca  e foi sucedida pelo filho, Dom João VI.
Os documentos relativos ao pedido feito pelos cachoeiranos à Rainha de Portugal estão publicados nos Anais da Biblioteca Nacional do Brasil, edição Nº 34, publicada em 1912, que traz o inventário dos documentos relativos ao Brasil existentes no "Archivo de Marinha e Ultramar", em Lisboa.


                                     
Prédio da Câmara de Cachoeira