terça-feira, 20 de julho de 2010

CACHOEIRA NO TEMPO DOS BARÕES DO IMPÉRIO (I)

Barão de Belém

Durante o Império, período compreendido entre 1822 e 1889, o Brasil teve cerca de 950 "nobres", entre barões, viscondes, condes, marqueses e duques. Eram geralmente grandes proprietários de terras, militares e eclesiásticos com serviços prestados à Monarquia. O regime político era o parlamentarismo monárquico e os partidos Liberal e Conservador se revezavam no poder, sem nenhuma diferença concreta  entre si, pois ambos  eram preocupados em manter o status quo: o trabalho escravo, grandes propriedades de terras e a monocultura. Os três pilares que sustentavam a Monarquia eram os militares,  a Igreja e os grandes proprietários de terras. Com isso os títulos de nobreza  eram distribuídos como benesses a quem tinha algum poder (militar, religioso ou econômico) em troca  de apoio político ao Império. Obviamente  eles garantiam apoio eleitoral aos partidos, numa época em que o voto era censitário, isto é,  estava vedado às mulheres ,  aos escravos e às pessoas que não tivessem uma renda mínima, por exemplo, de 100 mil réis ou  o equivalente a uma roça de 100 alqueires de mandioca.  Além disso, para ser votado a pessoa tinha que ter uma renda mais elevada ainda.    
   
No Recôncavo - região que se destacara nas lutas pela Independência do Brasil, sendo Cachoeira inclusive a sede do Governo Provisório durante a guerra - os  grandes  proprietários rurais  e militares também foram agraciados com títulos de nobreza. Juntamente com os  senhores de engenho de Santo Amaro, São Francisco do Conde, Jaguaribe, Itaparica, Nazaré das Farinhas, Maragojipe e São Félix, eles formavam a chamada nobreza do Recôncavo, região mais rica da Província da Bahia. 

Aqui traçaremos breves perfis dos nobres cachoeiranos: 

Barão de Belém 
Rodrigo Antonio Pereira Falcão Brandão (1786-1855)
Nasceu  no Iguape, região da zona rural de Cachoeira onde ficavam os principais engenhos, sendo inclusive proprietário de um deles. Recebeu o título diretamente das mãos do Imperador  Dom Pedro I pela participação nas lutas pela Independência. Era Coronel  e na madrugada de 25 de Junho de 1822  entrou em Cachoeira  à frente de uma  tropa  para  garantir que o Senado da Câmara aclamasse o Príncipe Regente Dom Pedro de Alcântara.  Teve papel decisivo na Batalha de Pirajá e em 2 de Julho do 1823, integrando o Exército Libertador, entrou triunfalmente em Salvador, com a fuga dos portugueses que resistiam à Independência e controlavam a cidade. Mais tarde, já Brigadeiro, , atuou em 1832  e em 1837/38 na defesa da legalidade e em  nome do Império reprimiu as revoltas republicanas de Guanais Mineiro, em Cachoeira,  e a Sabinada em Salvador, respectivamente. Morreu em 1855, tendo sido uma das vítimas da  epidemia de cholera morbus que assolou o Recôncavo. Foi enterrado no Convento de Santo Antonio do Paraguaçu, próximo ao seu engenho. Cachoeira o homenageou dando-lhe o nome da mesma rua  conhecida também como Rua do Fogo. 

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Barão, Visconde e Marquês de Muritiba
Manuel Vieira Tosta (1807-1896)

Nascido em Cachoeira, era formado em Ciências Jurídicas e Sociais. Foi Juiz em Cachoeira e  em 1837 durante a Sabinada,  quando a cidade foi sede do Governo  da Província, assumiu a Chefia de Polícia na repressão ao movimento rebelde, o que lhe garantiu a primeira honraria. Foi deputado à Assembléia Nacional em várias legislaturas e nomeado Senador. Foi presidente das províncias de Sergipe, Pernambuco e Rio Grande do Sul e ocupou os ministérios da Marinha , Fazenda e da Guerra. Foi desembargador da Relação da Corte (equivalente hoje ao Supremo Tribunal Federal), membro do Conselho de Sua Majestade, recebeu várias condecorações e foi , sendo amigo pessoal de Dom Pedro II e foi,  entre todos, o que mais recebeu  honrarias e títulos. A família Tosta tinha vários engenhos em Cachoeira, São Félix e Maragojipe. 

Barão de Najé 
Francisco Vieira Tosta (1804-1872)

Era irmão do Barão de Muritiba e foi Juiz de Paz em Cachoeira. Em 1859  ocupava a Presidência da Câmara de Vereadores, quando em nome da cidade saudou o Imperador Dom Pedro II em sua visita à cidade e o acompanhou até Feira de Santana. Era proprietário dos engenhos Vanique e Capivari, nas margens do Rio Paraguaçu. Foi Coronel e Comandante da Guarda Nacional na região. Recebeu também a comenda da  Ordem de Cristo  e da Ordem da Rosa. Era pai de Inácio Tosta, um dos primeiros prefeitos de São Félix. Pai e filho são homenageados com nomes de rua em Cachoeira.

2º Barão de Muritiba
Manuel Vieira Tosta Filho (1839 - 1922)

Era filho do 1º Barão de Muritiba e embora tivesse nascido em Salvador foi criado  em Cachoeira num dos engenhos da família. Ainda jovem foi estudar em Boulogne sur Sene (França) mas se formou em Direito, em São Paulo. Casou-se com Maria José Velho de Avellar, filha dos viscondes de Ubá e Dama de Companhia da Princesa Isabel. A Baronesa de Muritiba foi uma das mais destacadas integrantes da Corte, no Rio de Janeiro,. O Barão foi,  como o pai, desembargador do Tribunal da Relação, tendo sido o último Procurador da Coroa. Com o golpe militar  que destronou Dom Pedro II e implantou a República, o casal acompanhou a família imperial  no exílio.: Pesquisadores apontam este aspecto da biografia do casal:"Os barões de Muritiba acompanharam a família imperial no exílio. Mais tarde, a baronesa  desfez-se de suas jóias para pagar o mausoléu erguido para D. Pedro II e a Imperatriz Teresa Cristina na Catedral de Petropólis". 

Fotografia tirada por  Marc Ferrez  em 1866. A Pricesa Isabel (centro) está  ladeada pela Baronesa de Muritiba (à esquerda) e pela  Baronesa de Loreto (direita) na varanda da sua casa  em Petropólis


O Barão de Nagé morreu em 1922, quando retornava de uma viagem à Europa e o navio "Bagé" navegava em águas do litoral do Espírito Santo.

 (prossegue ...)

7 comentários:

  1. Robson Motta do Val22 de julho de 2010 12:43

    Meu caro amigo,
    Mais uma bela contribuição para remontar o imenso mosaico da nossa riquíssima história que ainda tem tantas peças soltas por aí.
    Parabéns!

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  2. será que faço parte dessa família???

    meu nome é anselmo tosta de lima filho de lidia alves tosta neto de etelvino alves tosta e ana alves tosta meus avos maternos.
    curioso eles eram primos filhos dos irmãos francisco alves tosta e antonio alves tosta meus bisavos.

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  3. será que faço parte dessa família???

    meu nome é anselmo tosta de lima filho de lidia alves tosta neto de etelvino alves tosta e ana alves tosta meus avos maternos.
    curioso eles eram primos filhos dos irmãos francisco alves tosta e antonio alves tosta meus bisavos.

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  4. Anselmo:
    É preciso aprofundar essa investigação acerca dos Tosta, herdeiros e descendentes. Em Cachoeira e São Félix existem ainda pessoas com esse sobrenome...

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  5. sera que faço parte desta familia de baroes e baronesas meu nome e andreia tosta das neves...fica a dica eu baronesa fica a dica...

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  6. minha avó ANA ALVES TOSTA sempre comentava que todos com sobrenome TOSTA tem um parentesco.

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  7. Nossa muito legal saber sobre minha familia

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